sábado, 13 de setembro de 2008

O início

“Bem-vindo. E parabéns. Ainda bem que chegou até aqui. Não foi fácil, eu sei. Para dizer a verdade, suspeito mesmo que terá sido mais difícil do que pensa.
Em primeiro lugar, para que o leitor esteja aqui agora, foi preciso que triliões de átomos errantes tenham conseguido juntar-se, numa dança intricada e misteriosamente coordenada, de forma a criá-lo a si. Trata-se de uma combinação tão única e especializada que nunca foi feita antes, e só vai existir desta vez. Durante muitos anos futuros (esperemos), estas partículas tão minúsculas irão dedicar-se sem qualquer queixume aos biliões de hábeis e articulados esforços necessários para o manter intacto e deixá-lo desfrutar da experiência supremamente agradável, mas geralmente subestimada, a que chamamos existência.
A razão pela qual os átomos se dão a este trabalho não é lá muito clara. A nível atómico, ser o leitor não é propriamente compensador. Ou seja, apesar da atenção que lhe dedicam, os átomos não se preocupam consigo – na verdade, nem sequer sabem que você existe. Nem mesmo que eles próprios existem. Nada mais são do que partículas sem consciência, e nem sequer têm vida própria. (Não deixa de ser ligeiramente impressionante pensar que, se você tentasse dissecar-se a si próprio com uma pinça, átomo a átomo, nada mais iria conseguir do que um monte de fina poeira atómica, da qual nem um grão alguma vez tivera vida, mas que, toda junta, era você). E, no entanto, durante todo o período da sua existência, a única preocupação dessas partículas será a de responder a um único impulso incontrolável: fazer com que você seja quem é.”

BILL BRYSON
in “Breve História de Quase Tudo”.

1 comentário:

António disse...

Parbéns pelo Blog! Espero que tenha muito sucesso.
A propósito deste Post: com que então eu não fui criado pelos meus pais... foi pelos "triliões de átomos errantes"!!! OK...
Beijinho e bom trabalho